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EU E A COZINHA
Quando eu era criança, minha mãe sempre fazia bolo de araruta. Eu chegava da escola e sentia, já no portão, o cheiro do bolo saindo do forno que, depois, ficava esfriando sobre a mesa. Eu esperava, impaciente, até que estivesse morno. E daí gritava:
Mãe, já esfriou!
Ela reclamava, dizia que ainda estava quente. Mas cortava uma fatia, que servia com café. E café feito do jeito caipira. Também de sabor muito diferente do que tomo hoje em dia: o grão era torrado e moído em casa. Já coado com açúcar, era bem melado.
Eu pegava o pedaço de bolo com a mão - é a melhor forma de comer, se lambuzando um pouco! E depois pedia outro.
Hoje em dia o bolo de araruta saiu de moda. Não sei o motivo. Araruta a gente compra em qualquer supermercado, junto com os outros tipos de farinha. Às vezes, faço um em casa. É tão bom relembrar um sabor de infância!
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BOLO DE ARARUTA
INGREDIENTES:
4 OVOS (separar as claras das gemas)
2 XICARAS DE CHÁ DE AÇÚCAR
250 GRAMAS DE ARARUTA
1 COLHER DE CHÁ DE FERMENTO EM PÓ
GOTINHAS DE BAUNILHA (NÃO MUITAS)
COMO FAZER:
Primeiro bata as claras em neve. (Minha mãe batia com um garfo, até ficarem legais. Acho que boa parte da vida doméstica, no passado, equivalia a uma academia de musculação. Hoje em dia, com a batedeira, é fácil.) O resto é simples: misture as gemas, o açúcar, a araruta e, finalmente, o fermento e a essência de baunilha. Nessa ordem. Ponha em uma forma untada com manteiga e leve ao forno já aquecido em temperatura regular.
Espere!
E, se quiser repetir minha experiência de infância tal como foi, faça o café caipira. Mas vai precisar de um coador de pano.
O CAFÉ:
Ferva a água num canecão ou leiteira. Quando estiver fervendo, ponha o pó de café e o açúcar. Misture e retire do fogo rapidamente. Coe. Está pronto! Se tiver rapadura em casa (que sorte!), raspe uns pedaços e ponha no café. Fica incrível.
É uma bomba calórica, reconheço. Mas em tempos de festas juninas, por que não homenagear a tradição? |